Jesus Cristo e o Super Homem

Estudo-Ensaio por Antiácido Corrosivo


Um Encontro de Gigantes

O Conhecimento, seja ele filosófico, religioso, artístico ou científico, não é fracionado e nem mesmo é fracionável. Nos acostumamos a subdividí-lo em áreas e sub áreas e sub-sub áreas para facilitar o estudo. Todavia, o Conhecimento é um só. Suas ramificações apenas se diferenciam no enfoque nas maneiras de produção.

Em uma simples analogia, nos acostumamos a colocar diversos livros em prateleiras e em códigos distintos para facilitar a leitura, o estudo e a localização dos mesmos. Mas a biblioteca é uma só. Isto posto, pois o Ultraverso é um só. Portanto todos os conhecimentos seguem uma mesma lógica essencial que permeia o tudo e o todo e quanto mais se aproxima desta essência, menos eles se afastam e diferenciam e mais eles se encontram e se assemelham.

A presente reflexão tem como propósito demonstrar a proximidade entre a Filosofia Nietzcheana e a Fé Cristã, comparando-os e mostrando como eles se assemelham e se interconectam de uma maneira impressionante, em especial os conceitos de Jesus Cristo e Super Homem.

É sabido que Nietzche disse que “Deus está Morto”. Mas será que é isso mesmo? Diariamente o que mais pode ser visto por aí são pessoas usando conceitos nietzcheanos de maneira equivocada e irrefletida. Muitas vezes estes comportamentos distópicos arruinam o pensamento do autor, retirando-o do contexto ou substituindo-o por outro bem diferente.

Estas incompreensões costumam ser causadas ou por desconhecimento, incompreensão (quando as pessoas não sabem ou não entenderam) ou por algum interesse expúrio por trás disso (manipulação, comando e controle) como aconteceu com Adolf Hitler, que usou o conceito de Super Homem de Nietzche para se referir ao povo alemão em seu conceito de supremacia ariana, totalmente o contrário do que realmente disse Nietzche. E todos já viram a merda que isso deu.

As religiões muitas vezes também agem assim, com a diferença de que a obra Nietzcheana começou a pouco mais de 150 anos, o nazismo tem uns 80 e poucos e algumas religiões têm entre 2000 e 5000 anos. Se em minutos um “telefone sem fio” já causa uma distorção enorme, imagina em milênios o que não causaria.

Por isso temos que ter sempre discernimento, buscar incessantemente o conhecimento e refletir sobre todas as coisas, pois tudo isso contribui para a expansão da consciência, o que corrói a projeção de comando e controle sobre os indivíduos pelo dogmatismo destas instituições. Por isso mesmo que Sócrates já dizia que “uma vida não questionada não merece ser vivida”.

Neste ínterim, a intenção deste trabalho é mostrar como o Conceito de Super Homem se entrelaça perfeitamente com o conceito de Jesus Cristo, usando para isso imersões tanto na biblioteca atribuída a Cristo quanto na biblioteca atribuída ao Anticristo, demostrando a proximidade, similaridade e correspondência entre os conceitos, revelando em ambos os mestres um caráter muito mais amplo e universal do que se pensa que são.


Repensando as Bases

É sabido que nem tudo é o que parece, principalmente no campo da Reflexão e da Crítica. Porém, é necessário que sejam criados novas formas de se pensar as coisas, levando as pessoas a questionarem a realidade que os cerca.

Ao contrário do que muitos pensam, Friedrich Nietzche teve pais cristãos e, consequentemente, uma educação cristã. Entretanto ele era um filósofo que criticava duramente a humanidade, não só com relação à vida religiosa, mas com relação a tudo.

Sua icônica frase não quer dizer que Deus morreu de fato. Apenas que esta era a sua crítica à época moderna, na qual durante o iluminismo, a humanidade teria matado Deus em prol da ciência e da tecnologia, porém também se tornaram escravos delas, da mesma forma que os povos medievais se tornaram escravos da religião, desta forma deixando de desfrutar a vida presente em prol de vidas melhores no futuro, pois tanto a ciência quanto a religião focam no futuro, que é extremamente maleável e não corresponde aquilo que é verdadeiro que é o próprio desenrolar da vida, gerando o Nihilismo que, na concepção de Nietzche significa negar a vida e viver uma não-vida esperando soluções em qualquer outra coisa do que na própria vida em si, que é a única coisa que o ser humano realmente possui e a única à qual ele se recusa a dar valor.

Este trabalho surgiu da observação sobre as diversas facetas tanto do mestre alemão quanto o mestre galileu, pois, embora digam que ambos os ensinamentos sejam diametralmente opostos, talvez até por isso mesmo, eles sejam tão parecidos, pois no fim de 2 pêndulos, sempre há um encontro. Isto porque ambos os ensinamentos compartilham a mesma essência, embora neguem isso até a morte. Arquetipicamente, eles possuem o mesmo valor, a mesma correspondência: o ideal de transcendência.

Aqui será utilizada essencialmente a base Cristã, o que não implica na exclusão de qualquer outra fonte religiosa, afinal. Apenas quero com isso enfatizar como o Sagrado é muito maior e mais universal do que a religião, sendo em primeira e última instância, a suprema fonte de todas as perguntas, e portanto de todas as respostas. Portanto, todo o Conhecimento, Entendimento e Sabedoria estão ligados a esta causa primeira.

Para situar melhor como as duas doutrinas se entrelaçam precisamos recordar alguns conceitos-chave de ambas, para depois discorrer sobre o encontro destes dois gigantes.


Simbolismo ou Idolatria?

Há uma Ordem Natural que permeia, dá vida e sustenta a tudo, todos e o todo. Esta Lógica Inata não tem um nome e a sua concepção é indefinível por completo. E esta lógica vai se desdobrando em reflexos menores que vão se desdobrando da abstração absoluta até a manifestação plena.

Todas as religiões têm uma concepção para essa lógica motriz. As religiões abraâmicas (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo) a conhecem como Deus. Taoístas a chamam de Tao. Os Hindus conhecem como Brahman, os Budistas a conhecem como a Realidade, os cientistas a conhecem como a Grande Unificação, Jedis e Siths a conhecem como a Força e por aí vai. E nenhuma destas palavras definem com 100% de precisão o que é isto.

Sendo assim, nem Deus é capaz de definir o que é isso, por isso mesmo ao se referir a si mesmo, dentre muitos outros nomes que usa em diversos contextos, ressaltando um ou outro aspecto respectivo de sua natureza, sua inteira natureza é indefinida, apenas sendo descrita em Exodus 3:14: “Eu Sou o que Sou”.

Daí o mandamento de “Não Terás outros Deuses Diante de Mim”, que muitos tomam ao pé da letra como se o Incognoscível fosse tão irascível, narcisista, egoísta e ciumento quanto o ser humano. Deuses ou mesmo Deus são formas que damos para facilitar o entendimento destas realidades. E nenhum destes nomes pode ser colocado em pé de superioridade à essência que eles representam e serem cultuados. Isto sim, é Idolatria. Daí nasce também o próximo mandamento, de não fazer para si imagem de escultura e cultuá-las. Não porque é um pecado ter imagens artísticas ou religiosas em casa. O pecado é dar a ela mais valor à representação (forma) do que o que elas representam de fato (essência).

Contudo, as religiões criam noções para que compreendamos melhor a natureza primeira e última das coisas e os seus inúmeros desdobramentos em todos os planos. É aí que nasce o conceito do Sagrado e junto dele, a totemização, definindo coisas, conceitose ideias como divinas, por meio da associação delas com esta realidade Sagrada. Ou seja, criam símbolos para representar o Sagrado.

Todavia, conforme o tempo vai passando e o ensinamento vai se diluindo, o institucionalismo religioso se torna mais e mais opressor, transformando a utopia em distopia, levando as religiões a cometer o erro de se prender radicalmente aos seus símbolos, querendo que eles não representem as coisas do espírito, mas que as próprias coisas do espírito represente eles. Daí nasce a idolatria, a bibliolatria a eclesiolatria e a idolatria a líderes e intermediários. É por isso que o que mais vê-se por aí é umas religiões acusando outras de serem idolatria enquanto elas mesmo praticam as suas próprias idolatrias.

Apenas a busca do conhecimento e o desenvolvimento da imaginação, aliados ao discernimento crítico e à experiência prática pode revelar Deus, afinal, conforme o próprio Sagrado fala em Exodus 33:20: “Não poderás ver a minha face, porque o ser humano não pode ver-me e permanecer vivo!”

Existe uma diferença entre simbolismo e idolatria. Enquanto o primeiro representa a essência de algo/alguém, a segunda essencializa a representação de algo/alguém. Em outras palavras, Deus é um símbolo que representa a grandiosidade do Sagrado, mas querer prender toda esta grandiosidade do Sagrado em um único símbolo, seja ele um lugar, um livro, uma instituição, uma palavra ou mesmo uma pessoa, ainda que Deus não passa de idolatria, pois em João é dito que nenhuma biblioteca do mundo seria capaz de conter o registro de todos os milagres de Cristo. Então para que prendê-lo e prender-nos também em caixas?

Se este aprisionamento do Sagrado, suas Manifestações e seus Representantes às suas formas correspondessem à Verdade, não haveriam os tantos filtros Socioculturais que criam tantas religiões diferentes, mas que no fundo e em essência são uma só: O Sagrado, como atingí-lo e usar isso da melhor maneira possível.


De um Lado, Jesus Cristo!

Certas coisas são muito abstratas para o ser humano. Precisamos de algo palpável para servir-nos de exemplo. E as religiões são mestras em criar modelos de referência. E estas totemizações são necessárias até certo ponto, pois a fé nestes modelos dá ao homem um norte de referência para o comportamento e autodesenvolvimento.

Algumas religiões utilizam o próprio ser humano para servir de exemplo a outros seres humanos, como é o caso dos Santos. E alguns destes, ainda mais notáveis adquirem o Status de representante máximo de Deus para aquela religião, como é o exemplo de Zoroastro para o Zoroastrianismo, Moisés para o Judaísmo, Sidharta Gautama para o Budismo, Jesus Cristo para o Cristianismo, Mohammed para os Islamitas, etc. Isto serve para que criemos uma identificação com estes modelos, nos mostrando que nós também podemos ser como eles. E isso nos dá esperança. Da mesma forma que em João, Jesus diz que ao verem-no eles também vêem o pai.

Jesus é aclamando por muitos, o grande filho de Deus. Pelo menos ele assim se revela quando lê a profecia de Isaías, informando aos então presentes que havia se cumprido nele mesmo.

Todos os processos de lideração política da humanidade tiveram e ainda têm o seu grande fundamento na religião. E naquela época, os líderes de uma civilização eram tidos como Deuses ou canais dos Deuses na Terra. E como Jesus era descendente da linhagem dos Reis de Israel e Judá, ele era de fato um príncipe, ou seja, na lógica do mundo antigo era a criança da promessa, um pequeno rei, um Deus em formação, um pequeno Cristo, que mais tarde se tornaria um Rei/Deus Completo e governaria o País e o reunificaria novamente.

Entretanto, assim como Moisés e Sidharta Gautama, Jesus parece ter aberto mão do reino que possuíam (pelo menos por um tempo) para estar entre as pessoas, acompanhando-as, observando-as, absorvendo-as e auxiliando-as. Quando alguém o reconhecia divinamente/politicamente pedia para que fizessem silêncio, pois sabia que o alarde movimentaria Hebreus e Romanos contra ele e os seus, além também de que muitos inocentes poderiam morrer ou serem gravemente feridos. Herodes era um Déspota Usurpador. Ele certamente torturaria e mataria todos aqueles que tiveram contato com Jesus até conseguir matá-lo também. Ele estava disposto a qualquer coisa para que a profecia não se cumprisse.

Conforme vimos, a natureza de Jesus é de alguém especial. Alguém que supera em muito a capacidade média da maioria dos humanos (um Super Homem). Mais tarde a sua natureza divina é reconhecida por outros como por exemplo Natanael.

Ou seja, Jesus Cristo é este modelo de referência, que nos serve como base para nos reconectarmos com o Sagrado e nos aperfeiçoarmos até transcendermos nossos limites enquanto ser humano. Esta é a grande Essência de seu ensinamento, no ponto em que o próprio Jesus Cristo fala isso para seus apóstolos em João 14:12: “Em verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai”. Ou seja, quem crer neste ideal de superação e buscar esta utopia do homem transcendente, será igual a Jesus, cumprindo a utopia de uma vida plenamente manifesta para si e para outrem, isto pois, parafraseando Elizabeth Leseur “uma alma que se eleva, eleva também o mundo”.

Mais tarde a mitificação destes seres humanos se tornaria tão grande que seria extremamente difícil separar os personagens históricos de suas contrapartes míticas, transformando estas grandes personalidades em símbolos, metáforas, utopias para nosso autodesenvolvimento como pequenos Cristos, para que nos tornemos Reis como ele, em conexão e consonância perfeita com o Sagrado, através do exercício da transcendência inata nos seres racionais, alcançando a imortalidade por meio de nossos feitos e atitudes e nos calando, para não deixar que o Ego nosso ou de outrem nos consuma.


Do outro lado, Super Homem!

Friedrich Nietzche não é para qualquer um. Talvez por isso mesmo escreve em “Assim Falava Zarathustra”, obra que resume todo o seu pensamento em uma única narrativa mítico-metafórica, que aquilo tudo era “para todos e para ninguém”.

Ele é uma destas figuras que ou a gente ama ou a gente odeia. Mas não podemos negar a influência deste mestre no pensamento contemporâneo. Para onde quer que olhemos, cabe Nietzche de alguma forma, principalmente em se tratando dos indivíduos, seus usos e costumes. Nietzche herdou o pessimismo de seu mestre Arthur Schopenhauer, e também bastante influenciado pela tragédia Grega levou esta tendência ao extremo, aplicando-a à leitura do comportamento humano.

Seus grandes ensinamentos focam em nihilismo (que para Nietzche é uma forma de condução da vida sem ideais, valores superiores e simplesmente deixa a vida o levar e não a vive), forças ativas (dispersivas) e reativas (restritivas), vontade de potência (poder inato de vontade que nos move, nos suplanta e nos faz ir além), a morte de Deus e crepúsculo dos ídolos (os ídolos Deus e Religião que foram substituídos pelos ídolos Ciência e Tecnologia), o eterno retorno do mesmo (sucessão de eventos, vidas e coisas que, ainda que desagradáveis se repetem no eterno vir a ser, não importa aonde você já tenha chegado na vida) e desenvolvimento do Amor Fati (amor incondicional por todas as situações da vida, não importa o quão agradáveis ou mesmo desagradáveis sejam). Foi preciso citar e comentar brevemente todos, pois o Super Homem não se perfaz sozinho. Precisa da ajuda dos outros conceitos.

Para Nieztche, o Homem é algo a ser superado. Este é o grande sentido da humanidade: transcender a si mesma. O ser humano é uma obra em andamento, destinado a migrar do velho para o novo e isso inclui nossas tradições e valores. Assim ele deveria fortalecer-se sem a necessidade de muletas metafisicas, ou seja, sem dogmas ou ídolos.

Por isso mesmo que Nietzche ficou conhecido como “o filósofo do martelo”, pois defendia que a transcendência era imanente ao ser humano, e, como tal, independentementede Deuses e Ídolos para tal, como que quebrando estas imagens com um martelo. Embora eu tenha minhas discordâncias para com Nietzche, não posso deixar de reconhecer que seu pensamento é admirável. Mas isto é assunto para outro artigo.

O Super Homem é o “Übermensch” o conceito nietzcheano para o Além-Homem, o Homem que transcende, aquele que, despido de ídolos e imbuído de sua vontade de potência, passa por todos os desafios da vida, se eleva da torrente (eterno retorno do mesmo) e aprende a amar incondicionalmente (amor fati) tudo aquilo que passa e pelo que passou. E não deseja nada além da “SuperHomificação” de toda a humanidade.

O Super Homem não é algo inevitável, mas sim um desafio enorme para o desenvolvimento humano. Podemos nunca alcançá-lo. Todavia, devemos nos esforçar para alcançar. Isto pois superar o Homem é Superar a si mesmo. Aquilo que o Super Homem cria de melhor é ele mesmo, o domínio de seus próprios desejos e o uso criativo de seus poderes. E o caminho para isso é o da criação de novos valores (seus próprios valores e a superação contínua de si mesmo, preenchendo a “morte de Deus”, sem preceitos petrificados para seguir. Eis aí o Übermensch.

Este Super Homem é aquele homem autossuficiente que faz a diferença no mundo. Aquele que realiza, que se torna imortal, uma lenda, um mito (como Jesus Cristo). O filósofo desprezava a democracia, afastava-se da multidão. Defendia os fortes contra os fracos. No entanto,frisava que o ser humano deve desenvolver-se e ser autossuficiente, além da idolatria religiosa, científica, filosófica e artística e ensina que não devemos nos conformar com nada menos que a vida plena e para isso faz-se necessário viver o presente, em toda a sua extensão, tanto nas partes boas como também nas partes ruins.


O Ideal de Transcendência

Não existe, um conceito único de “Transcendência”, pois esta palavra tem sido usada em vários sentidos. A grosso modo, ela significa “algo/alguém que vai além”. No medievalismo, chamavam-se conceitos transcendentais aqueles que vão além das distinções entre as diferentes categorias. Na idade moderna, “transcendente” designa o além-fisico, superando o mundo material. Caso os homens tenham relação com o suprasensível, assim como cidade ideal de Platão ou então a ideia de um Deus que está no ápice do extrafísico, então isto pode ser chamado de relação transcendental. A própria metafísica parece funcionar neste sentido.

Quando disseram que a metafísica acabou, queriam dizer que a crença em algo transcendente se tornara injustificável (muito semelhante à morte de Deus Nietzcheana). Neste sentido, a transcendência passa a ter, em primeira instância, um sentido ontológico, como se fosse um tipo de ente. Mas também um sentido psicosocioantropológico, isto é, que os seres humanos relacionam-se não somente com o mundo material, mas também com aquilo que o transcende. Neste segundo sentido, a transcendência passa a ter um sentido dinâmico como atividade humana para obter a transcendência.

O Super Homem é o Ideal de Transcendência representado em Zarathustra. Já Jesus Cristo representa este Ideal de Transcendência conforme é trabalhado no Cristianismo.

Quem vê Zarathustrace Jesus, pensa que os seus ensinamentos são opostos. Porém eles não o são. Trata-se do mesmo ensinamento e do mesmo Ideal de Transcendência. Apesar dos caminhos serem diferentes tomados por ambos, a Conclusão é a mesma. A transgressão do Super Homem representa a transgressão de Jesus.

Fica mais fácil ainda compreender como estes conceitos se igualam quando percebemos que o Super Homem é um homem com um poder tal que ele vence as torrentes e atribulações, superando-as, se elevando acima do mundo, se imortalizando e se divinizando, servindo de exemplo para todos. No Cristianismo, Jesus também é um homem com este poder tal, que vence torrentes e atribulações, superando-as, se elevando acima do mundo, se imortalizando e se divinizando, servindo de exemplo para todos.

Ainda mais quando se pensa naquilo que ambos lutaram para criar novos valores, enfrentando toda a pressão social e mundial para mudar a realidade da época, declarar que os valores de suas épocas não eram mais aceitáveis e criar valores melhores e terem vivido e morrido pelo que acreditavam, dando a própria vida para a preservação do mundo e das pessoas, caso assim fosse necessário.

O que acontece é que na história de Jesus é o mesmo que acontece na história do Super Homem, com a diferença que Zarathustra vem de um caminho mais seco, áspero e duro e Jesus vem de um caminho mais úmido, suave e macio. Mas ambos são a mesma ideia: um modelo de referência para que o ser humano possa se basear para atingir a Transcendência.


Considerações Finais

Diferente dos animais irracionais, a humanidade, enquanto animais racionais, é guiada por uma sede inata por Sentido. Deste modo, o homem precisa de razão e sentido em sua vida. Algo que o complete, que o dê esperança e fortaleza, que gere um propósito. As religiões têm muito a ensinar sobre isso e a filosofia também.

Diante do exposto, vimos que Jesus Cristo e Super Homem representam a mesma coisa. Em outras palavras, são o mesmo conceito dito em palavras diferentes, por pessoas diferentes e em épocas diferentes. Apesar da negação de Cristãos e Nietzcheanos em suas visões extremas de suas vertentes ideológicas, o que se vê em verdade é que estes extremos, bem como quaisquer outros extremos são meramente ilusões. Eles representam uma mesma ideia, uma mesma correspondência e um mesmo papel.

Aquilo que é tratado como Super Homem por Friedrich Nietzche por meio da Filosofia, é trabalhado pelo Cristianismo como Jesus Cristo. Os seres considerados racionais aprendem por comparação. Portanto, precisam de exemplos, que lhe servem de modelo de como agir ou não agir.

De qualquer maneira o mais importante de tudo é entendermos que nos acomodamos a ídolos para nos mantermos no ciclo do eterno retorno e não haverá saída para a humanidade enquanto não aprendermos a superar a nós mesmos e vencermos estes ciclos. Jesus, Nietzche, DaVinci, Einstein, Gandhi e os grandes mestres da humanidade em todos os campos do conhecimento só foram o que foram porque criaram seus próprios valores, superaram desafios e transcenderam a humanidade e o status quo dela e por isso mesmo se tornaram imortais.

E é esta a transformação que todos nós precisamos. E não há como conseguí-la fora da expansão da consciência, pois ela é a única coisa capaz de nos elevar ao Incognoscível e trazer a transcendência.

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