No Fim do Alfabeto a Culpa é de Quem?

Artigo para o Linkedin por Antiácido Corrosivo

Integrar harmonia e sinergia é o grande desafio do Caminho, seja ele qual for. Imagem do Pixabay

“[…] -Lucy: Por que você não pôde vir rugindo e nos salvar como da última vez?
-Aslan: Nada Acontece duas vezes da mesma maneira. (As Crônicas de Narnia
Príncipe Caspian. Direção: Andrew Adamson)”

É impressionante como umas coisas acontecem devagar, rápido, mas nós não percebemos a movimentação de qualquer jeito. Falar de gerações é uma destas coisas, pois é sempre um assunto que “dá pano para as mangas”, mas muitos só se apercebem disto quando algo mais impactante acontece no meio social e cultural que caracterizam uma ou outra geração.

Atualmente muito se tem falado sobre as últimas 3 gerações de nosso tempo (X, Y e Z), às quais eu costumo a me referir como “O Fim do Alfabeto”. Não se tem tirado muitas conclusões porque são assuntos recentes demais para serem compreendidos em sua totalidade.

Antigamente as gerações levavam um período de 25 anos para se formarem. Entretanto, com todos os avanços tecnológicos e o maior acesso à informação e bens de consumo, impactou e transformou as pessoas de uma maneira tão grande que reduziu o espaço de tempo entre as gerações. Hoje uma nova geração nasce a cada 10 anos. E agora (no surgimento das gerações que vieram e virão depois da Z) ainda se fala em reduzir ainda mais o período entre as gerações para 7 anos.

O que buscamos aqui é ampliar o olhar crítico e reflexivo para que novos questionamentos nos conduza a uma realidade melhor para todos, já que esta vem se tornando uma das discussões mais comentadas no mundo de trabalho.

O Fim do Alfabeto
Geração é um termo usado para descrever determinados grupos de indivíduos nascidos em uma determinada faixa de tempo. Os indivíduos categorizados nestas faixas apresentem certos comportamentos em comum, que formam padrões dentro daquela geração específica.

Este estudo-ensaio focará mais nas gerações X, Y e Z que são as que hoje lotam o mercado de trabalho de forma mais numerosa e fazem parte do panorama geral do mercado de trabalho atual.

Nos anos 40, após a Segunda Guerra Mundial, veio a geração chamada Baby Boomers, chamados assim por causa do boom demográfico que o mundo experimentou naquele período. Em um mundo defasado pela guerra e crise econômica, esta foi a geração que colocaria o mundo de volta “aos trilhos”. Eles trabalharam muito e cultivaram um padrão de trabalho duro, sofrimento e recompensa através do esforço, até mesmo para recriar o mundo pós-guerra. Eles não tiveram tempo para se instruírem, buscarem qualidade de vida ou gerarem valor para si mesmos e a humanidade, salvo algumas exceções. Mas foi ali que foram lançadas por algumas exceções as primeiras sementes das grandes mudanças em todos os campos que mais tarde explodiriam nas décadas seguintes. São quase 100% analógicos, mas muitos conseguiram se adaptar às novas tecnologias.

Na Década de 60 começou a Geração X, que foi até meados da década de 80, geração que foi palco de grandes mudanças, principalmente no eixo político e social e também no trabalho. Eles viram a tecnologia começar a ser desenvolvida e acompanharam as grandes inovações de perto. Cultivam ainda um pouco do caráter dos Baby Boomers progressista e diretrizes de consumo característico de seus pais Baby boomers, mas conseguem ainda ser flexíveis com a tecnologia e serem um pouco mais instruídos e conectados. São 70% analógicos e 30% digitais. Têm uma visão mais aberta e mais relaxada, se importando mais com a forma de se trabalhar do que com o trabalho em si, de buscar e exigir seus direitos e de se relacionar uns com os outros e de transformar a humanidade para melhor. Houve uma maior liberdade de pensamento e crença e abertura de um pensamento mais crítico com relação à vida, ao consumo, ao mercado, à política e à economia.

Na década de 80 surgiu a geração Y, aludindo uma continuação da X. Esta geração nasceu dentro do boom tecnológico. São metade analógicos e metade digitais. Conheceram de perto o sufoco dos Baby Boomers e da Geração X e decidiram transformar valores e criar realidades melhores, entretanto o excesso de expectativas em contato com a realidade acabou criando uma certa frustração nas pessoas desta geração. São bem mais instruídos e conectados que seus predecessores. Muitos deles já possuem curso superior e tenta trabalhar na área em que se formaram. Aqui não houve tanta indignação, revolta e manifestações populares. Todavia, houve crescimento de preocupação não apenas dos indivíduos para consigo mesmos, mas também para uns com os outros e também o aumento da preocupação com o meio ambiente e também com a Sustentabilidade em todas as suas modalidades. Muitas causas sociais foram expandidas e grupos que antes nunca tiveram voz, puderam ser ouvidas, auxiliadas e terem maior expressão.

Contudo, a revolução tecnológica tem sido tão presente em nossas vidas que em apenas 10 anos já nasceu uma nova geração: a geração Z. 70% digitais e 30% analógicos, nasceram bem imersos na tecnologia e são ainda mais conectados que os anteriores. São conhecidos por serem ainda mais engajados politicamente e serem ainda mais individualistas que os da Y. Estudam na faculdade e estagiam ou trabalham em alguma outra atividade. Ainda se sabe pouco sobre eles, pois o tempo ainda não foi suficiente para pesquisá-los e compreendê-los em sua totalidade

E ainda há uma nova geração nascida uma década depois, já nos anos 2000, que é a mais recente. Chamados de pós-millenials, nasceram imersos na revolução tencnológica e são quase 100% digitais, salvo algumas excessões. Ainda são muito recentes para termos total conhecimento de seus hábitos e comportamento social e profissional. Por isso este trabalho vai se concentrar mais no grupo dos Millenials (X, Y e Z). Parecem ser mais resolvidos com a frustração da geração Y, porém, são ainda mais imediatistas e não tem medo de arriscar mudar de um emprego para outro. Parecem ter continuado o trabalho de abertura da geração Y para Sustentabilidade, Meio Ambiente e para dar voz a grupos desprivilegiados.

Entretanto, o individualismo forte nesta geração, torna essa luta segmentada e digitalizada demais ao invés daqueles grandes grupos comuns durante a geração X e Y. Têm total habilidade com tecnologia e vivem imersos nela. Sua maior atuação provavelmente se dá no mercado de trabalho, aonde esta geração exige melhores condições de trabalho e atividades mais dignificantes.


De Quem é a Culpa?

Eles estão em todos lugares, dividindo espaços de trabalho e muitas vezes convivendo juntos diariamente. E há uma reclamação muito grande sobre os trabalhadores destas gerações. Os mais antigos (Baby Boomers e X) reclamam dos mais jovens (Y e Z). Eles afirmam que são “frouxos”, descompromissados, querem subir rápido demais, são superficiais, elitistas, arrogantes, etc. Já os mais jovens vêem os mais velhos como “quadrados”, inflexíveis autoritários e mesquinhos.

Mas aonde é que já não ouvimos isso antes? Apesar de a preocupação com o estudo das gerações seja algo recente, essas rixas nada mais são do que o bom e velho “Conflito de Gerações”. É um verniz novo para cobrir e estudar ideias velhas. E quem aqui está certo? Se ambos estão certos, ninguém está certo. Sabemos que nem tudo são flores e a grande questão aqui é que tudo depende muito do que cada geração busca para si e a maneria como faz isso e como as gerações podem se unir para obter o maior proveito em conjunto. As gerações fornecem um legado valioso de experiência e paciência aos mais jovens e os mais jovens podem contribuir com pensamentos, insights e imprimir uma força no trabalho que os mais velhos jamais teriam pensado. Todos precisam se ouvirem, se levarem a sério e se ajudarem.

Não é porque os mais velhos estão dando algum conselho ou bronca que isso faz deles “reacionários”. Eles estão no mercado a muitos anos, possuem bagagem, experiência, know-how, networking e nada disso veio “de graça” para eles. Eles podem opinar e emprestar a sua vivência ao negócio. Muitas vezes não tiveram muita escolha na vida e passaram a sua vida em apenas um único conhecimento ou trabalho. Mas se tornaram especialistas poderosos e valiosos no nicho de mercado ao qual eles aderiram. Quem não quer estar seguro com profissionais experientes e competentes. E muitos deles já aderiram à tecnologia e mais do que isso, aprenderam a colocá-la para funcionar a seu favor. Por outro lado também, não é porque o jovem está frustrado com a sua posição atual, que automaticamente ele se torna egoísta e mimado. Eles tiveram mais acesso à informação, puderam estudar mais e se qualificarem mais. É até normal que eles não queiram aceitar qualquer coisa como trabalho. E a concorrência se tornou ainda maior e mais qualificada. Eles se comparam entre si e com os mais velhos e sentem-se frustrados, o que os faz correr ainda mais contra o tempo. Mas não estão parados ou perdidos como muitos afirmam. Sabem sim o que gostam e o que querem e vão atrás. Também estão por trás de todas as novidades e inovações dos negócios. Durante a própria Pandemia, estamos vendo novas formas de se trabalhar e fazer negócios que seriam consideradas impossíveis pelos mais antigos. E provavelmente, este vai ser o nosso salto para o futuro, aonde tudo tende a se tornar remoto e digital.

E de quem é a culpa pelo negócio não alavancar ou não funcionar mais como funcionava antes? Não é culpa dos Baby Boomers, nem da X. Tampouco é culpa da Y ou da Z. Pensando melhor, nunca foi de geração nenhuma. Toda essa dicotomia de velhos contra novos e vice-versa gera polarizações que nunca são saudáveis e também nunca seriam necessárias, caso estivéssemos mais dispostos a dialogar e ouvir uns aos outros do que a julgar e condenar. Só que agora, curiosamente tem crescido certo reacionarismo e polarização no meio de todo mundo. As últimas mudanças na conjuntura cultural, social e política podem estar invertendo a Evolução.

Sabemos que nem tudo são flores e a grande questão aqui é que tudo depende muito do que cada um busca para si e da maneria como faz isso. O que acontece muitas vezes é que deixamos de crescer para dar vazão apenas à voz de uma só geração. E isso sim é o problema. Se Y ou Z está insatisfeito, por que rechaçá-lo imediatamente? Se o BB ou o X têm algo a considerar, por que não ouví-lo? Já dizia sabiamente o ditado popular: “ninguém é tão inteligente que nada possa aprender e ninguém é tão burro que nada possa ensinar”. Basta apenas uma pequena disposição em querer ouvir uns aos outros, que isso sim, é o que falta no mundo, principalmente o atual, aonde o aumento exponencial da Polarização em todos campos tornou tudo ainda mais difícil.

Aonde há os mais velhos também existirão os mais novos. Os mais velhos revolucionaram o que era preciso em seus tempos e agora precisam manter o negócio “nas rédeas”. Por isso se tornam mais conservadores com o tempo. Entretando, aqueles que se trancam em seu tempo e reclamam das gerações futuras, caem no excesso de conservadorismo e se tornam reacionários, quadrados e autoritários. Já os mais jovens têm a missão de revolucionar o que é preciso. Por isso são mais liberais. E mais tarde eles carregarem as rédeas do negócio, só que em uma realidade diferente no mercado e nos ambientes de trabalho e em todos os aspectos da vida. Contudo, aqueles que se prendem apenas na utopia e reclamam das gerações mais velhas acabam se perdendo um pouco na vida, se tornando mimadas, arrogantes e fora da realidade.

Como nada acontece duas vezes da exata mesma maneira, não se pode restringir demais. Mas como é preciso que o empreendimento se desenvolva, é preciso também não afrouxar demais o negócio. Como sempre a chave de tudo sempre estará no domínio, na moderação, no equilíbrio e na sinergia. Os mais velhos podem ensinar a experiência aos mais jovens, ao passo em que estes podem ensinar ousadia àqueles. Desta maneira os tempos e contratempos da vida fluem melhor para todos e não somente para um ou alguns. Dentro dos ciclos de expansão e contração, a Consciência aumenta e o ser humano evolui. Quando o ser humano evolui, tudo melhora.

As gerações precisam entender que compartilhar ideias e aprendizado não é o Problema, mas sim a Solução, tornando tudo mais fácil, prático, e fluído, pois não há expansão em excesso que possa desestabilizar a economia e nem restrição em excesso que possa travá-la. O Equilíbrio e a Sinergia são as únicas coisas capazes de harmonizar, não só o ambiente de trabalho, bem como qualquer outro, tornando-os mais completos, dinâmicos, eficientes e felizes.

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