O Espanta-Tubarões, Os 7 Pecados Capitais e a Incompletude *Contém Spoiler* – Shark Tale, The Incompleteness and The 7 Deadly Sins *Spoiler Alert*

Crítica Reflexiva por Antiácido Corrosivo Reflexive Criticism by Corrosive Antiacid

Imagem do Wikipedia – Image from Wikipedia


VERSÃO EM PORTUGUÊS

“Minha maior riqueza
é a incompletude
sou rico de fraqueza
e pobre de vicissitude

Porém, sou de solicitude
busco total franqueza
ao outro não sou rude
ao gentil, gentileza

E neste vivo açude
bebo estranheza
sacio, talvez mude
saia da tristeza
pra alegria, amiúde

Mas, não serei lassitude
só por não ter grandeza…
Mesmo inacabado, eu pude
no amor, ser eu, ter pureza

Almejando sentido na finitude
com liberdade, com leveza”

De “Incompletude”. Por Luciano Spagnol – Poeta Mineiro do Cerrado. Achado em http://www.pensador.com

O Espanta-Tubarões é uma animação da Dreamworks de 2004, mas que não sei por que cargas d’água, acabei só assistindo em 2020. Aquelas coisas que vão indo, vão ficando pelo caminho e um belo dia passando pelo Netflix você se dá conta (Ei! Eu não vi este filme!).

A série foi claramente inspirada no grande sucesso do ano anterior, Procurando Nemo, da concorrente Disney Pixar, mas acabou não chegando ao mesmo sucesso de seu predecessor, apesar de contar com gigantes do Entretenimento como Robert De Niro, Angelina Jolie, Ziggy Marley e Will Smith na equipe de dublagem, inclusive a modelagem dos personagens foi feita tendo como base as características dos respectivos atores reais, o que ficou muito legal.

Com uma concepção genial, a trilha sonora envolvente do incrível Hanz Zimmer, um elenco poderoso… tinha tudo para ser o melhor filme de 2004. Entretanto, durante a condução do filme, o roteiro parece que não amarrou muito bem a trama e a direção também afrouxou um bocado na condução da narrativa, alguns ângulos e “jogadas de câmera” tornaram algumas cenas um tanto confusas para quem está assistindo e a comicidade e o carisma dos atores que deveriam recolocar o filme nos eixos também não funcionou tão bem. Perdeu muita força e ficou um filme meio sem cor, sem brilho, sem sabor. Difícil até para o super-elenco segurar as rédeas. Acabou perdendo o Oscar de melhor animação de 2004 para “Os Incríveis”, também da concorrente Disney Pixar.

Deixando o review e a crítica cinematográfica de lado e aplicando reflexão e crítica num conceito mais geral, o grande barato do filme são as questões profundas que ele traz à superfície, que são difíceis de se lidar. O Espanta Tubarões pode ser resumido em um ensaio sobre a incompletude, que é esta sensação de que sempre falta algo para você ser pleno, para você ser “alguém”.

A INCOMPLETUDE

A Incompletude é este grande vazio do ser humano, que o faz menosprezar suas conquistas e o seu presente e achar que em alguma outra conquista futura maior. As pessoas seguem para a frente buscando sempre algo grande no futuro que provavelmente não conseguirão. Entretanto alguns conseguiram este grande objetivo e continuam se sentindo vazios, imperfeitos, incompletos.

Quando crianças, queremos ser adolescentes, quando adolescentes queremos ser adultos, etc. E assim vamos vivendo, vivendo e colocando cada vez mais lixo sociocultural para dentro de nós mesmos e nos comparando e nos sentindo piores ainda. E a insatisfação de não ter aproveitado bem o passado nos deprime ainda mais.

E tome frustração. Crescemos, mas nos deprimimos porque não conseguimos criar os nossos próprios valores para nos tornamos aquilo que escolhemos ser e cada vez mais vamos nos tornando não as nossas essências, mas algo artificial, moldado a posteriori pela pressão social, cultural, religiosa, científica, filosófica e midiática e o que mais tudo isso nos gera de demônios e fantasmas.

Enfim, vamos cada vez mais deixando a Essência para nos tornarmos o Ego, aonde a Matrix não nos assusta mais e nos conformamos e acomodamos de uma maneira tal que às vezes até passamos a defendê-las num misto de dependência, abstinência, alienação e síndrome de Estocolmo. E quando estamos bem velhos, finalmente aprendemos aquilo que já sabíamos quando crianças… Encontramos a chave que tanto procurávamos a vida inteira, mas já é tarde demais (como narra a canção The Unforgiven do Metallica). Uma vida inteira se passou e só nos resta mesmo o fracasso. E ainda tem alguns que morrem sem nem chegar neste ponto.

É verdade que os objetivos futuros podem ser mais atraentes do que o presente e muitas vezes nos ajudam a segurar a barra que estamos passando no agora. Mas eles não podem ser todo o sustentáculo das nossas vidas. Até porque se isso fosse sinônimo de verdadeiro sucesso, não teríamos casos como Robin Williams, Ammy Winehouse, Marilyn Monroe, Chung Mon-hun (Alto Executivo Coreano da Hyundai Asan Co). Todos eles chegaram onde todo mundo deseja estar. Mas se suicidaram.

Por que o vazio continua. E dói muito nadar e nadar para perceber no futuro que morreu na praia e podia ter vivido mais, aproveitado mais, como concorda aquela canção “Epitáfio” dos Titãs. O passado e o futuro são armadilhas do ego, pois são ilusórios. O que passou não volta e o amanhã não se sabe. E tudo o que perseguimos como “sucesso” é também uma ilusão, pois como diria Jacques-Marie Émile Lacan, o que perseguimos mesmo não é o sucesso em si, mas a sensação do que seria este sucesso. Por isso precisa ser irreal, pois quando isso se tornar real, não iremos querer mais, pois não terá suprido o nosso vazio, o que aumentará a nossa frustração e o fracasso permanecerá. E então desistiremos e partiremos para outra jornada, mas que no final chegará ao mesmo triste fim.

E o que sobra para nós? Aqueles pequenos momentos do Presente (que agora se tornou passado) aonde brincamos, rimos, ajudamos alguém ou fomos ajudados por alguém demos a mão amiga para alguém, que batalhamos, bebemos, rimos e choramos. Ou seja, o Caminho, a Viagem, a própria Vida.

No fundo, somos todos como o Coringa de Heath Ledge, quando diz: “Sou um cachorro perseguindo carros. Eu não saberia o que fazer se alcançasse um (Batman – O Cavaleiro das Trevas, Direção: Cristopher Nolan)”. Mas até mesmo o coringa conhece o sentido da incompletude quando mais tarde confessa para o Batman “Eu não quero matar você! O que eu faria sem você? Voltaria a roubar mafiosos? Não, não. Não. Eu preciso de você! Você me completa. (Batman – O Cavaleiro das Trevas, Direção: Cristopher Nolan)”.

No final do Século XX e início do século XXI, surgiram as famigeradas gerações X, Y e Z, que hoje são culpadas pelo enfraquecimento do modo de produção neoliberalista desenfreado. São vistos, julgados e condenados como “gerações perdidas”. É claro que têm os seus defeitos, mas elas também estão mudando a conjuntura da Sociedade e do Mercado e se continuarem assim, vão acabar mudando toda a forma de se trabalhar e firmar negócios. Não me parecem nada perdidos.

Contudo, nestas 3 últimas gerações vimos um crescimento exagerado da frustração e da sensação de incompletude. Entretanto a culpa de toda esta frustração e incompletude está muito mais ligada à construção das nossas expectativas, à falta de uma espiritualidade verdadeira e à importância excessiva que damos à ilusão do futuro, do que às gerações menosprezadas pela sociedade e o mercado.

OS SETE PECADOS CAPITAIS

Apesar de toda a Crítica (e certos pontos até pareçam ser propositais para tirar o nosso foco de dentro da tela e mudá-lo da tela para dentro de nós mesmos), “O Espanta Tubarões” tem pontos muito legais, que fazem a produção valer a pena. É num segundo olhar, num segundo momento que o filme fica bom (quando você entende a concepção genial do filme), quando você percebe que não apenas o protagonista, mas TODOS os personagens principais do filme sentem-se incompletos.

Oscar: o protagonista, um peixe bodião-limpador vive na periferia, em um trabalho pesado e vivendo de truques em truques. Sente-se incompleto por não ser mais como o seu avô. Viver de uma maneira muito aquém das suas expectativas. Ele quer crescer e se tornar “alguém”. Mas não alguém na sua própria essência. Ele quer ser alguém pelo que as tendências do mundo e da sociedade ditam e está disposto a fazer qualquer coisa para isso. Ele é a Soberba em pessoa, ou melhor, em peixe (ou deveria dizer “peixoa”? rs). Por uma notável coincidência com a morte do Frank, ele mente dizendo que foi ele quem matou. E logo depois ele assume o alter ego de “Espanta Tubarões”.

Lenny: é o único tubarão vegetariano em uma família de tubarões-brancos mafiosos (uma clara sátira política e também uma referência ao Poderoso Chefão). Filho de Don Lino, Lenny Sente-se incompleto por não corresponder os anseios da família. Ele não se esforça muito para conquistar a confiança da família e é meio folgado também na casa do Oscar. Acaba não suportando a pressão da família e fugindo de casa. Ele representa a Preguiça.

Don Lino: toda a família de Lenny pode ser resumida na figura de Don Lino, o chefe dos tubarões. Disciplinado, ele comanda toda a máfia e os estabelecimentos que se ligam à ela no mar de Nova York. Apesar de todo o poder não aceita o filho mais novo e é bem duro com ele. Durante o filme ele perde o filho mais velho e culpa o mais novo por isso. Ele é tão diligente com os negócios da família que acaba muitas vezes sendo insensível demais com o seu filho. Armado e perigoso, ele representa a Ira.

Frankie: irmão mais velho de Lenny e provavelmente o grande sucessor de Don Lino. Na visão deste autor foi mal utilizado durante o filme, podendo ter uma maior participação nos conflitos e na trama antes de ser atingido na cabeça por uma âncora e morrer, inflamando ainda mais a ira de Don Lino com relação ao Lenny e ao tão badalado “Espanta Tubarões”. Mas é um tubarão forte e cruel, mas sua grande paixão é se afogar na comida e abundância excessivamente. Exagerado e fanfarrão, ele é a personifica (ou “peixonifica” rs) a Gula.

Sickes: baiacu proprietário de um Lava-Jato, aonde comanda todas as atividades. Chefe de Oscar e Angie, deve proteção à máfia para executar os seus negócios. Persegue com unhas e dentes aqueles que o devem. Tem 2 capangas águas-vivas que cuidam de certas partes mais sujas dos seus negócios (Ernie e Bernie). Já entra em cena cobrando os débitos do Protagonista. Ele claramente representa a Avareza.

Lola: uma peixe-leão toda atraente, sexy e deslumbrante, é a mais cobiçada peixe do mar de Nova York. Entretanto, é na realidade uma pessoa fria e interesseira, apenas buscando holofotes. Não possui nada além da sensualidade, mas sabe usar isso muito bem ao seu favor. Detesta os “ninguém” e demonstra carência afetiva e medo de rejeição e abandono enormes, já que sempre foi acolhida com tanta admiração pelos outros peixes (que provavelmente também a usam para satisfazer sua lascívia). Não luta pelo que acredita, apenas usa a sensualidade para conseguir tudo o que quer. Ela representa a Luxúria.

Katie Current: a apresentadora do jornal local é uma dessas jornalistas clichês loucas atrás de um furo de reportagem e de aparecer nas câmeras Toda chance que tem para a aparecer ela aparece. Atravessa os personagens, fala por eles e não pára para escutar o que os entrevistados têm a dizer. Ela tem tanta necessidade de se mostrar durante a notícia que entra na frente dos entrevistados e literalmente passaria por cima deles se não tivesse um pingo de bom senso. Seu defeito é a Inveja contra todos que aparecem mias do que ela.

Como você pode ver, todos os personagens se sentem incompletos de alguma maneira e nenhum deles está realizado. A plenitude é algo que estudiosos de todas as épocas se debruçam para avaliar e discutir desde o tempo dos filósofos gregos.

Mas a chave para a realização, a completude e a plenitude do ser é a Angie, uma peixe-anjo, amiga de Oscar e é a personagem mais sóbria de todo o filme e a voz da consciência no fundo do mar. Ela representa o Ideal, o Desejo, a Vontade, a Thelema é o Ágape sagrados, o Tesão e o Amor Universal aplicados de maneira correta e equilibrada.

Não se sabe muito sobre ela, só que ela trabalha no mesmo lugar que o protagonista e nutre uma paixão por ele e carrega uma jóia de família. Mas isso provavelmente foi feito de propósito para que ela se tornasse mais misteriosa. E funcionou, criando talvez a personagem mais interessante de toda a história.

Sábia, humilde, contemplativa, autêntica e generosa, ela é a contraparte dos pecados capitais. Isso mesmo! Ela representa as 7 Virtudes (respectivamente, Humildade, Diligência, Paciência, Temperança, Generosidade, Castidade e Caridade), que equilibram a Estrela Septenária, que ajuda as pessoas a viverem acima da torrente e tornam a pessoa mais próxima do Divino, religando-a à fonte e aos fluxos de tudo, para que o filho do homem se encontre com o filho de Deus que a ajudam a viver acima das condições materiais. Ela representa Cristo, a consciência divina que vive (ou deveria viver) em nós.

Ela é quem ilumina, eleva e equilibra tudo por ali. Ela que faz o protagonista enxergar que ele já era “alguém” e se iluminar e, como disse Dalai Lama:

“Se você quer transformar o mundo, experimente primeiro promover o seu aperfeiçoamento pessoal e realizar inovações no seu próprio interior. Estas atitudes se refletirão em mudanças positivas no seu ambiente familiar. Deste ponto em diante, as mudanças se expandirão em proporções cada vez maiores. Tudo o que fazemos produz efeito, causa algum impacto”.

Angie provavelmente veio de uma família muito Sábia ou adquiriu o Entendimento e a Sabedoria por conta própria, ou nunca deixou a chama morrer desde criança, mas ela atingiu este nível e a prova disso é que ela carrega um tesouro inestimável, que é a pérola rosa, provavelmente uma metáfora para jóias sagradas como o Excalibur, o Santo Graal e a Pedra Filosofal e ainda assim ela a entrega para Oscar, livremente e sem pesar, por amor.

Ela até sente uma certa incompletude pelo Oscar parecer não corresponder o amor dela por ele, mas é suficientemente madura para garantir o livre-arbítrio do protagonista, ainda que isso venha a ferí-la imensamente. Ela vive acima da contaminação do mundo, por mais sufocada que tenha sido durante o desenrolar da história. Ela resume a essência da Criação enquanto reflexo do Criador.

Além disso, também precisamos aprender a aplicar as nossas virtudes para aprendermos a viver acima dos nossos vícios e nos reconectarmos à nossa essência e também com a essência de tudo o que existe. Este religare é o objetivo de todas as religiões e doutrinas de vida, mas que acabam caindo nos porões sulfúreos do dogmatismo, fundamentalismo, messianismo e autoritarismo que transformam a utopia numa distopia.

No fundo do fundo, Homem e Divindade tornam-se um só em essência. E são as nossas escolhas que pavimentam a nossa estrada rumo aos nossos destinos. Mas o grande barato da vida não é se prender ao passado. Tampouco chegar lá no futuro. Mas aproveitarmos bem (e direito) aquilo que verdadeiramente temos de fato e que não é uma ilusão, pois é o único lugar aonde a Felicidade e a Plenitude podem estar: o Presente.

Porém, aonde há ilusão, também existe realidade. Não é preciso desistir daquilo que buscamos para as nossas vidas, desde que seja algo que a nossa essência escolha fazer/mudar e não o Ego. O passado e o futuro são necessários para nos tornarmos completos, desde que cada coisa seja mantida em seu devido lugar e função. Com o passado nos traz vivência, preparo e aprendizagem e o futuro nos trás esperança, objetivos e possibilidades. Mas apenas reconhecendo que a fonte do sucesso é muito mais simples e sublime do que aquilo que nós buscamos para nós mesmos e que este sucesso sublime também reside nos desafios, idas e vindas de nossos caminhos no presente e dentro de nós mesmos. E é só aí que nos despimos de todas as mentiras que nos contaram e que nós contamos a nós mesmos e conseguimos enfim receber, conhecer e suportar a Verdade.

Apenas uma espiritualidade verdadeira, sem dogmas, ou verdades absolutas, mas com muita consciência, um olhar mais focado no presente e não mergulhado demais no passado ou no futuro (aproveitando bem o caminho com todas as suas nuances e presentes), uma maleabilidade nas expectativas (folhas que se dobram não quebram com o vento), e a correta aplicação da Vontade no Amor para com relação a si mesmo e para com tudo e todos, como se fosse uma Lei, pode nos conduzir à Felicidade e à Plenitude da Vida. Sem alcançarmos isso, não venceremos esta coisa tão ruim que nos atormenta desde que nascemos, que é a insatisfação e a incompletude.

Mas e aí? Qual dos personagens você vai ser?

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VERSION IN ENGLISH

“No one understands me
They don’t feel the emptiness I feel
It’s in my head
It’s in my heart
I want to feel something
ANYTHING
What’s wrong with me
Why can’t I see everything I have?
Why do I Only see what I don’t have?
My mind is breaking at the seams,
won’t someone help me?
Provide me with a needle and some thread.
I need to sew it back together.
Is that even possible,
when the pieces are scattered miles apart?”

From “This Emptiness is Killing Me” By Katy Contreras. Found at http://www.allpoetry.com

Sharktale is an animation from Dreamworks of 2004, but I don’t know why the hell, I ended up watchingin 2020. Those kind of things that are only going and going until some day, when zapping the Netflix, you get a punch (Hey! I didn’t watch this movie!).

Clearly inspired in the great success of the big success of the year before “Finding Nemo”, of the concorrent Disney Pixar, but it didn’t reach the same success of it, besides reckoning with giant names of the Entertainment, like Robert De Niro, Angelina Jolie, Ziggy Marley and Will Smith in the team, including the modelling of the characters beind made to the characteriscs of each real actor, fact that what was very cool.

With a genious conception, the envolving soundtrack of the incredible Hanz Zimmer, a powerful casting… had everything to be the best animation of 2004. But, during the conducion of the movie, the script seemed like didn’t connect the trama very well and the direction loosen the conduction of the storytelling, with some angles, camera and photography let the movie a bit confused to watch and the humor and charism of the actors which could relief it and take back the movie in the right trails didn’t work so well.

The result was that the movie lost a lot of its power, became a bit shineless, tasteless, hard up untill to the great casting save it, loosing the Oscar as best animation of 2004 for The Incredibles, also from the concorrent Disney Pixar.

Putting aside the review and the movie criticism and applying the reflection in the most general concept, the great goodie of the film is the profound questions that it talks about. Shark Tale can be summed up as “A Essay about the Incompleteness”, this sensation that we have of there’s always missing something for you being plenty, for you being “someone”.

THE INCOMPLETENESS

Incompleteness is this great void inside the human beings, which makes us belittle our achievements and our present, always thinking that in another future greater achievement. Everybody go ahead, always looking for something big in the future that probably they won’t reach it. However, some reached this big “purpose” and they go on empty, imperfect, incomplete…

When child, we want to be teenagers. When teenagers, we want to be adults, etc. And we going, passing by, passing by, putting on each time more and more sociocultural garbage inside us and comparing us between ourselves and feeling even worse. And the insatisfaction of the missliving the past depress us even more.

And take it more and more frustrations! We grow up, but we got depressed because we can’t create our own values to become what we choose to be and being each time not our own essences, but something artificial, shapen a posteriori by the social, cultural, religious, scientific, philosophic and midiatic and else more this generate of Ghosts and Demons.

Finally, we going each time more letting our essence to becom our ego, where the Matrix don’t scare us anymore and we conform and accomodate in a so manner that we start to defend this ina mix of dependency, addiction, abstinence, alienation and Stockholm’s Syndrom. And then, when we are very old, we finally learn what we already knew as children… We find the key that we looked for all these years, but it’s too late (like said in the song “The Unforgiven” by Metallica). A whole life has passed by and what it lasts is only failure, regret, and death. And there’s someone who die without neither reach at this point.

It’s true that future goals can be more attractive than the present and in só much times it helps us to keeping moving at this moment. But it can’t be all the pinnacle of our lives, because if it would be synonym of success, we woudn’t had cases as Robin Williams, Ammy Winehouse, Marilyn Monroe, Chung Mon-hun (Korean High-Executive of Hyundai Asan Co). All of these reached out where everybody want to stay. But by their livid and spontaneous desire, they ended up their own lives.

Because the emptiness will go on. And hurts a lot swimming and swimming to reach out in the future to perceive that we could had lived more, enjoyed more, as said in that song “Epitáfio” by the brazillian group “Titãs”. Past and future are ego’s trap, because are both illusions. What had passed can’t go back and the tomorrow can’t be sounde with absolute precision. And everything we can persecute ans “success” is also an illusion, because as sais by Jacques-Marie Émile Lacan, what we reach out it’s not the success per se, but the sensation what this succes could be. It’s why this need to be unreal: because when this become real, we will not desire it anymore, because it can’t supress our void, what will expand our frustration and the failure will go on. And we resign and go on for another journey that will takes us to the same sad destiny.

And what’s left to us? Those little moments of the present (that now becames past) when and where we joked, laughed, helped/got helped by someone, worked hard, cried and smiled… In terms, the Way, the Trip, the own Life.

In the deep inside, all we are like the Rick Ledge’s Joker on Batman – The Dark Knight: “Dogs Chasing Cars”. We wouldn’t even know what we would do if we reach some. But the same character know the sense of the incompleteness when he confess to Batman: “I don’t wanna kill you. What would I do without you? Robbing from gangsters again? No. No. No. I need you. You complete me”.

In the end of the 20th Century and beginning of 21st, new generations risen (X, Y and Z), that are blamed by the weakening of the umbridled neoliberal way of production. They’re saw, judged and condemed as lost generations”. Off course that They have their defects. But They also has their merits. They’re changing the social conjuncture and the Market and, if continuing as só, They’ll finally changing all the way of working and making business. They don’t seem me lost at all. However, in these last 3 generations, we saw an over inflated growing of the frustration and incompleteness sensations.

Nevertheless, the fault of all this frustration and incompleteness is so much more connected with our expectancies construction, the loss of a true spirituality and the excess of importance we give to the future’s illusion, than to the generations, society and marketing, although these ones are also guilty by this condition, added with the narcissism of the social networks.

THE SEVEN DEADLY SINS

Although all my criticism, the movie has very cool poins, which make the production worth it. It’s in a second moment, in a second glance that the movie gets good (when you understand the genious conception of the movie), when you see that not only the main character, but all the main characters of the movie feel incomplete.

Oscar: the protagonist, a bodião-limpador fish who lives in a ghetto, works in a sad and heavy job and liveing from tricks to tricks. He feels incomplete because He can’t be like his grandfather and for living in a manner só below his expectations. He wants to grow up and become “someone”. But not someone in its own Essence, but the tendences dictated by the world and society and is up to make anything for it. He is the Pride in person, or better, in fish (or should I say “personfish”? lol). For a coincidence with the Frank’s death, He lies, saying that he was the murderer. And then again, He assumes the alter ego of “The Shark Killer”.

Lenny: The only vegetarian shark in a family of gangsters white sharks (in a clear politic satire and also a reference of gangsters movies, in special “The Godfather”). Son of Don Lino, Lenny feels incomplete for don’t correspond the family’s expectations. He doesn’t endeavour to conquer the family’s trust and is a bit lazy in the Oscar’s house. In finish, He doesn’t support the family’s pressure and runs away from home. He represents the Sloth.

Don Lino: all the Lenny’s familya can be summarized in the picture of Don Lino, the leader of the Sharks. Disciplined, He cammands all the Mafia and the stablishments linked to it in the New York sea. Although all his power, he doesn’t accept the younger son and is só hard with him. During the movie, He lost the older son and blame the younger. Don Lino is so dilligent with the family business that for many times he is too much insensible with his children. Armed and Dangerous, He represents the Wrath.

Frankie: Lenny’s older brother and probably the great successor of Don Lino. In this author’s vision He was misused during the movie, being able to have a bigger participation in the conflicts and in the Trama before being hit in the head by an anchor and die, inflamming even more the Wrath of Don Lino with Lenny and the so talked “Shark Killer”. But is a strong and cruel shark, but his true passion is drowning himself excessively in food and abundancy. He personificates (or fishonificates lol) the Gluttony.

Sickes: a porcupine fish, owner of a Jet-Wash. Oscar’s boss and Angie, he owns protection to the mafia to execute his business. He powerly follows his debtors. He has 2 jellyfish goons, who takes certain dirty parts of his business (Ernie and Bernie). He already enters in scene charging the Oscar’s debts. He clearly represents the Greed.

Lola: a lion-fish all sexy, attractive and gorgeous, is the most desired fish in the New York’s sea. However, is in the real a cold and selfserving, only looking for the Highlights. Doesn’t have nothing but the sensuality, but knows how to use it so well to his own favor. She hates the “nobody” and shows great affective lack and an even greater afraid of rejection and abandon, although she always was saw with so much “admiration” by the other fishes (that probably use her to satisfy their lasciviousness). She doesn’t fight for what she believes, only using her gorgeousness to get everything she wants. She represents the Lust.

Katie Current: the reporter of the local journal is one of these clichê journalists , crazily pursuiting a good news report and show herself on the câmeras. All chance she has to appear, she insists in appear on it. She cross the characters, talk by them, and doesn’t stop to hear what the others say. She has só necessity to appear well that even enter in the front of the interviewed and literaly she is able to pass by on them if she hadn’t a drop of good sense. Her sin is the Envy agains everyone who appears more than herself.

How we could see, every characters feel incomplete in some manner and none of them are fulfilled. The Plentiness is something that specialists of all ages put theirselves to study and discuss since the greek philosophers’ times.

But the key to the realisation, the completeness and the plenty of the being is this: Angie.

Among all the characters, Angie, an Angel-fish is the most sobber of all in the movie. And the counsciousness voice in the deep of the ocean. She represents The Ideal, The Desire, The Will, The Thelema and The Sacred Agape, The Libido and The Universal Love correctly and balanced applied.

We doesn’t know much about her, only that she works at the same place than the protagonist and is passionate by him and also carries a family jewerly. But it probably was propositally made for the character become more misterious. And it really worked. They created the most interesting character of all the story.

Wise, humble, contemplative and generous, she is the counterpart of 7 Deadly Sins. That’s it! She represents the 7 Virtues (respectively, Humildity, Diligence, Patience, Temperance, Charity, Chastity and Gratitude), which equilibrates the Septenary Star, which helps people to live beyond the torrent and make them more close to Divine reconnecting to the Fountain of the everything’s fluxes, to the son of Man gather the son of God, what helps to living beyond the material conditions. She representes Christ in itself, the Divine Counsciousness that lives (or at least should live) within us.

She is who illuminates, elevates and equilibrates everything there. She makes the protagonist see that He was already “someone” and if He illuminates himself and, already said by Dalai Lama: If you want to change the world, try first promote your personal improvement and realise innovation in your own interior. These attitudes will reflect in positive changes in your familiar environment. From this point ahead, the changes will expand in proportions each time bigger. All we do produce an effect, causes some impact.

Angie probably came from a very Wise family or acquired the Enlightenment vavelmente by herself, or never let the flame die since child, but she achieved this level and the proof of it is that she carry a inestimable treasure (The Pink Pearl), probably a Metaphor to sacred jewels like Excalibur, the Holy Grail and the Philosopher’s Stone and even yet, she sacrifices everything giving it to Oscar, for love.

She feels some incompleteness by the fact of Oscar looked like He don’t correspond her love, but is sufficiently mature to guarantee the free-will of the protagonist, although this come to greatly hurt her. She lives as the tide, but in the same time over it and the world’s contamination, by more suffocated during the story. She resumes the Creation’s essence as reflex of the Creator.

Beyond this, we also need to learn to apply our virtues to live over our addictions and reconnect uns to our essence and also with the essence of everything. This religare is the great goal of all religions and doctrines, but it always ended up falling in the sulphuric basements of the dogmatism, fundamentalism, messianism and autoritarism tha transforms an utopia in a dystopia.

In the deep of the deep, man and divinity becomes one in essence. And our choices what build our road to our destinies. But the great crack of the life is not to arrest us in the past. Neither to get there in the future. But to enjoy what we have in fact and that is not an illusion, because is the unique place where the Happiness and the Fullness can exist: the Present. But where is illusion is also reality.

We also can’t give up of what do we looking for our lives, since it can be something chosen by our Essences and not our Egos. The past and the future are needed for us, as long as in its respective places and functions. It’s necessary to learn with the past and conjecture our future. But we must recognize that the success fountainis much more sublime than this and the success illusion we pursue in our life and this same success resides inside ourselves. Only when you take out the lies told to us by ourselves and the others and we can finally receive, know and handle the Truth.

Only a truly spirituality, without dogmas, absolute truths, but a lot of Counsciousness, a closer look in the present and not só deep in the past or the future (enjoying the way with all its nuances and gifts), a maleability in the expectations (leaves that shape itself don’t break in the wind), and the correct application of the Will in the Love to himself, the others and everything, as it would be a Law, can conduct us to Happiness and the Fullness of Life. Without it, we can’t win this só bad thing that torment us since early what is the insatisfaction and the incompleteness.

And so on? Which character will you be?

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